Todos os vinhos de "gama alta" têm origem na vinha. É com este princípio em mente que enólogos e viticultores se devem relacionar e combinar as suas ferramentas, assumindo que são ambos parceiros iguais na criação do vinho. Utilizando o seu know-how e interagindo com a natureza, estes dois especialistas reflectem um processo com três níveis distintos de criação, transformação e conservação que tem a sua génese na vinha e culmina quando a garrafa é aberta. O papel do viticultor é o de compreender e interagir com todas as variáveis e com toda a cadeia de parâmetros influenciadores como os minerais do solo, a luz do sol, a água, temperatura, castas e mudanças quotidianas que afectam a vinha, o equilíbrio dos seus frutos, folhas e raízes. Na vinha, o viticultor tem de aplicar com sabedoria todas as ferramentas do seu métier de forma a influenciar favoravelmente todos os processos que definem as vinhas de alta qualidade. Uma vez tomada a decisão de vindimar, o processo de criação termina e a alquimia da transformação, extracção e conservação começa. Apesar de tudo isto, a viticultura é uma ciência, dominada por números e por teorias cientificas. Um bom viticultor é muito mais do que um técnico, seguindo um programa de operações na vinha definido previamente. A natureza é demasiado complexa para uma aproximação deste género. Tal como na medicina, a sua prática pode ser vista tanto como arte como ciência.
Não somos donos das vinhas que produzem as nossas uvas. Estas pertencem a terceiros e são cuidadosamente seleccionadas por entre as melhores vinhas da região. Apresentam uma diversidade de meso-climas, tipos de solo e variedades que nos permitem introduzir aos nossos vinhos mais diversidade e complexidade.
Geografia regional e clima
O Alentejo, localizado entre 38º e 39º Norte, tem Invernos frios e verões quentes, o clima ideal para viticultura. Ar frio do Atlântico modera a maioria da região que de outra forma seria muito mais fria durante o Inverno e mais quente durante o verão. O clima é Mediterrânico, que tipicamente recebe cerca de 3000 horas anuais de sol e 600mm de chuva, a qual menos de 15% cai durante a época do crescimento. O período de noites sem geadas estende-se desde meio de Março a princípios de Novembro. Os meses de Verão são caracterizados por temperaturas variáveis que podem atingir máximas de 40ºC, seguidos de noites com mínimas abaixo de 15ºC. Este factor ajuda a conservar uma maior quantidade de acidez natural nos bagos. Quando se atinge a altura crucial da vindima, em Setembro, a humidade sobe e as temperaturas médias diárias descem, permitindo que as uvas atinjam devagar a sua maturação fenólica máxima sob condições mais moderadas.
Solos e Rega
Aquando da escolha das vinhas para a produção de uvas premium, a nossa rigorosa selecção foca uma importância fundamental na uniformização do solo, factor que irá promover uma maturação equilibrada da fruta. Também procuramos solos fundos mas inférteis, e avaliamos as melhores combinações de variedade, porta enxertos e tipos de solo. A rega é uma ciência precisa, mas também requer que o viticultor tenha um feeling real para as vinhas, já que existe uma margem demasiado ténue entre a escassez e o excesso de água. Ajustamentos diários aos horários são frequentemente necessários.
Variedades e a sua gestão
Como nenhuma variedade por si só consegue assegurar as qualidades necessárias para vinho de excelência e complexidade, nós realizamos um blend de uma selecção das melhores variedades nacionais e internacionais. Cada variedade tem as suas características particulares e todas requerem uma gestão complexa. Procuramos vinhas capazes de produzir um painel vegetal, grande e saudável, sem ensombramento nas folhas, essencial para uma boa maturação das uvas.
Alicante Bouschet
Esta castas com cacho e bago de médio a grande é o resultado do cruzamento de Grenache com Petit Bouschet. Abrolha cedo e está pronta para vindimar a meio/final da época. A uva vermelha-carne produz um vinho preto/púrpura com uma boa acidez mesmo em climas quentes. Esta casta dá-se bem em solos fundos mas inférteis. Uma poda severa, a desponta e a monda de cachos são essenciais para conseguir uvas interessantes com boa concentração.
Aragonês/Tinta Roriz/Tempranillo
Conhecida sob diferentes nomes, esta variedade está amplamente cultivada em Espanha e Portugal, produzindo vinhos atractivos. Capaz de produções elevadas, não lhe deve ser permitida produções acima de 6t/ha para atingir boa concentração. Vigorosa, ascendente, com folhas largas. Perde acidez com facilidade em climas quentes. O aroma não é muito pronunciado mas frequentemente descrito como canela-picante com cereja preta. Para assegurar a qualidade, quaisquer cachos que sejam lentos na sua coloração devem ser retirados. Os melhores locais são zonas mais frescas porque os picos de calor impedem o amadurecimento. As noites frescas ajudam a preservar a acidez.
Touriga Nacional
Universalmente considerada como a melhor variedade para o vinho do Porto é a casta que neste momento lidera em qualidade os vinhos de mesa portugueses. É profundamente colorada e de aroma intenso. Os aromas são descritos como violetas e flor de laranjeira. Produz pequenas quantidades de bagos muito pequenos. É muito vigorosa, sendo por vezes esse o maior desafio. Floresce mesmo sob as condições de solos muito pobres.
Cabernet Sauvignon
Desde as suas origens em Bordéus, tem-se tornado - e com razão - na casta de uva tinta mais em voga por todo o Mundo. Escura, rica em taninos, antocianinas e aromas. Os aromas são complexos e com um alcance que se estende desde groselhas pretas quando madura a pimentos verdes, quando vindimada cedo de mais. Mesmo em climas mais quentes, esta variedade retém alguma da austeridade francesa, equilibrando-se entre a exuberância e suavidade de outros vinhos. Com bagos pequenos e de película espessa, é muito resistente a doenças o que é uma vantagem porque muitas vezes é a última variedade a ser vindimada tornando-a vulnerável às chuvas iniciais do Outono. |