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Enologia
“O estilo de vinhos que desejo criar resulta da experiência adquirida em Portugal e no estrangeiro, sublinhadas pela minha intuição para as castas e clima alentejano. Os vinhos devem reflectir de forma genuína o terroir do Alentejo e potenciar as castas usadas sem mascarar as suas qualidades e sem esconder os seus defeitos. Nunca procurei criar vinhos austeros numa das regiões vitivinícolas mais quentes do Mundo. Prefiro potenciar o calor da região em uvas maduras, com boa fruta e taninos muito redondos.” António Moita Maçanita

A Vinha


Este é o começo. É na vinha que se fundem os três vértices e se criam as mais belas expressões da viticultura, da enologia e da beleza de Deus, expresso através do solo e do clima. O compromisso para com a excelência que a Fita Preta Vinhos tomou como ponto cardeal começa na vinha e nas mãos de David Booth. E à medida que a vindima se aproxima, gradualmente o experiente viticultor vai passando a riqueza que nasceu nas suas mãos para o enólogo António Moita Maçanita, comungando ambos num desejo de criar um produto final digno dos melhores consumidores.

Zonagem


A exigência da Fita Preta Vinhos na identificação da qualidade de cada lote uvas vinificado obriga à divisão da vinha em pequenas parcelas, naquilo é conhecido como o Novo Conceito de Terroir. Nesta zonagem apertada, uma parcela com menos de um hectare plantada toda na mesma casta pode ter, e muito possivelmente terá, zonas com tempos de vindima diferentes e perfis aromáticos e fenólicos muito distintos. David e António identificam-nas pelo comportamento das folhas e pela análise das uvas. É nesta insistência, quase obsessiva, que se apoiam os perfis exuberantes e complexos dos vinhos da Fita Preta Vinhos. Decisão de Vindima. A decisão da vindima é baseada, sobretudo, na prova das uvas e em conjunto com as tradicionais análises de açúcares e ácidos. A par, logicamente, das fundamentais análises de antocianinas – principais responsáveis pela cor – e IPT’s ou Indicador do Teor em Taninos. A prova das uvas acaba normalmente por imperar. “A escolha da data de vindima certa, em uvas com potencial, é 90% do trabalho para criar um vinho de excelência” Ibidem

Vindima

A vindima das uvas de todos os vinhos desta empresa é manual e em caixas de 20 kg. A presença de toda a equipa na vinha é essencial por forma a coordenar e controlar os vindimadores. As caixas são imediatamente carregadas num camião frigorífico e só então transportadas para a adega. As uvas chegam à adega a uma temperatura que ronda os 10 ºC, e com todo o seu potencial aromático.

Adega

Fita Preta Vinhos vinificou na vindima de 2004 na Herdade da Malhadinha Nova  e na Casa de Santa Vitória, passando em 2005 a produzir exclusivamente nesta última.

Vinificação e o Factor Humano

 “A Fita Preta Vinhos tem esquemas definidos de trabalho na vinha, assim como processos de funcionamento muito específicos na adega. Ao vinificar em espaços alugados é necessário alguma habilidade por forma a conseguir vinificar de acordo com os seus próprios critérios em as adegas estão preparadas para trabalhar sob um esquema diferente.”
Ibidem

Selecção


Assim que as uvas chegam à adega são descarregadas para uma mesa de escolha com quatro pessoas de cada lado. Começam a tirar-se folhas, uvas verdes ou com má pigmentação, uvas podres, uvas picadas por pássaros e passas. É um processo que pode ser simples e rápido em anos bons, mas muito moroso em anos difíceis.

Desengaçar e Esmagar de forma suave

O esmagamento e separação do engaço são feitos pelo esmagador-desengaçador. O segredo está em adaptar a velocidade do desengaçador e o aperto do esmagador para cada casta. O objectivo é conseguir uma separação eficaz do engaço das uvas e por outro lado o esmagamento suficiente para somente estalar o bago.

Fermentação natural

A temperatura da cuba é regulada para os 14ºC de forma a permitir um cold soaking. Com esta técnica consegue-se uma extracção de cor e aromas superior. As fermentações arrancam, por regra, de forma espontânea, onde o risco é maior mas também a recompensa. O resultado são vinhos com maior complexidade aromática. Por outro lado, sempre controladas por frio, as fermentações nunca excedem os 27ºC. As remontagens são com ar e permitem uma maior polimerização dos taninos e uma maior estabilização da cor do vinho.

“Os vinhos Fita Preta têm inicialmente uma cor mais evoluída que o tradicional alentejano, mas irão obter uma maior estabilidade de cor a longo prazo. É frequente nos vinhos alentejanos, muito violetas no primeiro ano, com a cor apoiada em antocianinas monoméricas, perderem rapidamente esta qualidade por precipitação das mesmas.”
Ibidem

Extracção controlada

A maceração pós-fermentativa ou cuivason – o termo francês mais em voga – é uma das ferramentas essenciais na vinificação da Fita Preta Vinhos, o que permite uma extracção controlada dos taninos, sempre acompanhada em intervalos diários pelo enólogo.
 “A decisão de desencuba, baseada apenas em prova, é a chave da estrutura redonda e firme dos nossos vinhos, em que o ataque dos taninos é redondo, mas no meio de prova os taninos aparecem vivos e firmes.”
Ibidem

Prensagem

A prensagem é mais um passo crítico que depende quase exclusivamente do factor humano. “O princípio é relativamente simples: retirar tudo o que ainda está nas massas que possa contribuir de forma positiva para o lote final, normalmente muito importante para encher o meio de prova, sem extrair aromas herbáceos, amargor ou taninos pouco polimerizados.”
Ibidem

Selecção das barricas

A selecção das barricas inicia-se com a escolha das melhores madeiras francesas e portuguesas. O entendimento da espécie de carvalho a utilizar, o Quercus pédonculé – com maior contribuição de taninos – ou Quercus sessile – com maior contribuição a nível aromático –, só encontra semelhança na escolha das uvas. Depois vem a do grão, a da madeira e finalmente do nível da tosta.
 


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  • António Maçanita
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